
Limeira, uma cidade do interior paulista, com 300.000 habitantes, nada tem de especial que difere daquilo o que se espera de uma cidade desse porte.
Uma cidade de médio porte, de clara tradição caipira, sem uma identidade clara, perdida no caminho à modernidade.
Sujeita à uma política tradicionalista, oligarquias e regida pelas velhas forças, como é em quase todo o Brasil: grandes proprietários, famílias tradicionais, mídia de massas e à valores ligados ao conservadorismo.
Assim sendo, a participação política amplamente democrática não acontece. De um lado a típica manipulação política e do outro a apatia e indiferença frente à assuntos relacionados – um lado facilitando e motivo a ação do outro.
Nesses 3 anos de residência e trabalho em Limeira, cada vez mais participo de suas atividades relacionadas ao “movimento cultural limeirense”. Chamo de “movimento cultural” toda e qualquer iniciativa/manifestações na área artísticas, principalmente em grupos.
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E foi “participando” que pude identificar “o que é” esse movimento cultural limeirense, suas características, qualidades, defeitos e tendo como tema a problemática derivada desse panorama identificado, que estruturarei este texto.. ......
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Ciente da responsabilidade que um governo democrático tem para com seu povo, no momento de definição de suas políticas públicas é que identifico, também, a igual ou mais importante responsabilidade que têm os grupos organizados nesse processo.
Um governo é tão democrático, quanto são variados e acessíveis os canais que permitem a participação popular em suas atividades.
Quando uma administração “fecha os olhos” em face de seu contexto social ou limita a participação política de forma democrática, cabe à sociedade ali representada e seus grupos organizados, uma ação mais eficaz para que suas vontades e necessidades sejam mais do que ouvidas, e sim resolvidas através de ações planejadas.
O povo limeirense não possui uma tradição e nem um histórico recente em ser participativo na vida política da cidade, muito menos a atual administração está preocupada em incentivar tal atitude.
Coerente à isso, a participação política por parte dos atores culturais desse movimento, mesmo que em sua área específica, é pouco significativa.
São recentes algumas iniciativas de integração entre os grupos culturais, até agora os objetivos foram prioritariamente o de produção artística.
Nos grupos que venho participando, são claros os “pensamentos” que tentam incentivar uma organização mais politizada do movimento cultural limeirense.
Creio que com uma ação mais agressiva dos líderes de cada seguimento, conseguiremos melhores resultados à médio prazo.
Vislumbres de uma associação ou cooperativa cultural, de um conselho municipal de cultura vêm surgindo, ainda que tímidos.
Com certeza, quando a participação popular por parte dos grupos interessados for mais efetiva, organizada e politicamente ativa, o governo municipal poderá definir uma política cultural mais clara e coerente para Limeira.

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